Olga Panyuta na frente da colônia penal, abril de 2026
"Como todo mundo passou a te amar?" — Olga Panyuta completou sua frase por Faith
Território PrimoryeEm 10 de abril de 2026, Olga Panyuta, 66 anos, uma das Testemunhas de Jeová do Território de Primorye, foi libertada da prisão. Ela havia sido condenada por sua fé sob a legislação russa sobre extremismo. Olga passou mais de três anos em uma colônia penal em um caso que começou com batidas na cidade de Spassk-Dalniy no outono de 2018 e terminou com penas reais de prisão para três fiéis.
Olga nasceu em 1959 em Nizhny Novgorod. Ela se formou em uma faculdade técnica e trabalhou como professora de jardim de infância e, posteriormente, como assistente social. Quando foi presa, ela já havia se aposentado. Seu marido, Vladimir, trabalhou por muitos anos na ferrovia. Juntos, criaram duas filhas e um filho. Olga é uma das Testemunhas de Jeová desde abril de 1996 — quase 30 anos. Foi por essa fé que ela e seus companheiros de crença foram privados de sua liberdade.
Após buscas e detenções, Olga passou quase um ano em prisão domiciliar, seguido por mais de três anos sob restrições de viagem. Em fevereiro de 2023, o tribunal a considerou culpada de "envolvimento nas atividades de uma organização extremista" e a condenou a quatro anos e meio de prisão. Ela foi levada diretamente do tribunal e transferida para um centro de detenção preventiva. Após um recurso reduzir sua sentença em dois meses, Olga foi enviada para uma colônia penal.
As condições na prisão foram especialmente severas, considerando a idade de Olga. Ela lembrou que a experiência mais difícil foi sua primeira colocação em uma cela de punição por 14 dias. "Estava frio. Eu estava usando apenas um vestido. A janela estava aberta. Para me aquecer, sentava em um banco estreito de metal, encolhia as pernas por baixo de mim e puxava a barra do vestido até os joelhos. Ficar assim por muito tempo foi muito difícil", disse ela. Mais tarde, Panyuta foi transferido para condições rigorosas de confinamento.
Suas relações com a administração prisional eram calmas, enquanto suas relações com outros detentos eram calorosas. "Me chamavam de 'Tia Olya', 'Olga Aleksandrovna' (patronímico usado para mostrar respeito — nota do editor) e uma jovem me chamava de 'minha vovó'", recordou Olga. Segundo ela, até mesmo funcionários da prisão ficaram surpresos com a forma como os outros a tratavam. Um agente uma vez perguntou a ela: "Como aconteceu que todo mundo passou a te amar?"
Orações, memórias da vida em liberdade e cartas de todo o mundo ajudaram Olga a lidar com o aprisionamento. "Eles foram o maior apoio, fluindo como pequenos riachos. Eram cheias de cuidado, preocupação, humor e histórias — eu sentia como se estivesse viajando pelo mundo todo", disse ela, acrescentando que as cartas apoiavam não só ela, mas também outros prisioneiros.
O caso criminal contra Olga Panyuta faz parte de uma campanha mais ampla de perseguição contra as Testemunhas de Jeová no Território Primorie. Outros réus no mesmo caso, Aleksey Trofimov e Dmitriy Malevaniy, permanecem presos até outubro de 2028 e abril de 2029, respectivamente.



